livro de fotografia

luís afonso

“Contemplar as fotografias deste livro (…) tem sido um prazer para os sentidos e para a minha alma, não apenas pela elegância e naturalidade das cenas, mas também pela carga espiritual que delas advém. Capturar a magia do “não material” numa fotografia só é possível após uma longa e profunda convivência com a natureza. É necessário estar em íntima comunhão com ela e experimentá-la por dentro”. ~Isabel Diez (in prefácio)

as minhas histórias

Sou fotógrafo de paisagem. Ser fotógrafo de paisagem obriga-me” a respeitar, procurar e a viver a paisagem. Na realidade, sou obcecado pela paisagem.

Quando senti que estava na hora de trazer a minha fotografia cá para fora e colocá-la nas páginas de um livro, senti que tinha de fazer aquilo que sempre incitei os outros a fazer com a sua fotografia: contar a sua história, mostrando ao mundo aquilo que são e naquilo que se tornaram.

As minhas histórias, quando contadas com uma câmara na mão, confundem-se com os locais da minha vida, desde a praia onde passei todos os verões da minha infância, até ao mar” em pleno maciço calcário que fica a poucos minutos da casa onde morei até à idade adulta e onde regresso frequentemente.

A história da minha relação com estes locais confunde-se com a narrativa da minha própria evolução como fotógrafo de paisagem. Lembro-me de cada registo, de cada mudança de plano, de cada alargar de visão como se fosse agora. Lembro-me das vezes em que fotografei aquelas paisagens e das vezes em que as experienciei sem levar a máquina ao nível do olhar. Lembro-me de tudo e de todas as histórias que fazem de mim o fotógrafo e a pessoa que sou hoje. São essas as histórias que resolvi partilhar nas páginas deste livro. Espero que nele consigam desvendar as minhas memórias, a minha evolução enquanto fotógrafo e porque fotografo aquilo que fotografo. 

Sejam bem-vindos a minha casa. Fiquem à vontade.

É uma coisa engraçada, regressar a casa. Parece estar tudo igual, o mesmo cheiro, a mesma sensação. Então acabas por perceber que quem mudou foste tu.

Eric Roth, em “O Estranho Caso de Benjamin Button”, (2007).

5/5

Nasceu em 1972 em Castelo Branco. Comprou a sua primeira câmara fotográfica em janeiro de 1997, mas foi apenas em 2005 que começou a fotografar com mais intensidade. Faz parte do projeto de formação “Primeira Luz” desde dezembro de 2010. Desde então, já liderou perto de uma centena de experiências fotográficas, tendo passado pelas suas “mãos” mais de duas centenas de participantes. É presença assídua, como orador, nos principais festivais de fotografia de natureza em Portugal. É frequentemente convidado a ser jurado nos mais prestigiados concursos de fotografia de natureza nacionais. Desde 2017 é responsável pela programação do Festival de Fotografia de Paisagem de Manteigas. Embora tenha começado pela fotografia de rua, por onde deambulou nos primeiros anos da sua carreira fotográfica, desde 2008 fotografa exclusivamente paisagem natural. Gosta de fotografar no seu país, em locais com os quais pode desenvolver uma relação de longa data, pois acredita que a fotografia de natureza pode e deve representar algo mais do que apenas “isto foi o que eu vi”.

Portefólio em: www.luisafonso.com

Luís Afonso

os meus lugares

covão d'ametade

O mais pequeno e mais alto dos meus lugares, com cerca de cinco hectares de área, é, no entanto, um dos que maior variedade de elementos naturais encerra no seu seio. Outrora uma antiga lagoa de origem glaciar, posteriormente zona de pastagem de mamíferos de grande porte, é hoje um local de encantos diversos.

Nº Fotografias realizadas entre 22/03/2010 e 22/06/2019: 1014

moledo do minho

Nunca vou esquecer o intenso cheiro do sargaço que inundava a carruagem do comboio que me levava até às férias de verão, quando viajava de Campanhã em direção a Seixas. O cheiro da minha praia, de todos os verões da minha infância, ainda hoje se insinua como um vento que é só meu debaixo deste nariz.

Nº Fotografias realizadas entre 10/04/2009 e 23/12/2018: 1241

polje de mira-minde

O Polje é sem dúvida o local onde me sinto em paz com uma câmara, na mão ou na mochila. Grande parte das vezes, basta-me o relance da Costa de Mira de Aire para me sentir feliz, mesmo que aquilo que lá vá fazer seja apenas deambular pelos caminhos alagados, sem fazer um único disparo. 

Nº Fotografias realizadas entre 27/12/2009 e 04/01/2020: 1832

porto santo

Se há algo que ficou na minha memória da primeira vista à Ilha Dourada foi o caráter árido e desértico da zona ocidental da ilha. O ocre saturado da paisagem transportaram-me de imediato para sítios onde nunca estive, onde canhões gigantes compartimentam a terra vermelha tão característica desses lugares.

Nº Fotografias realizadas entre 07/08/2007 e 31/08/2016: 2085

livro casa

As páginas deste livro representam um ponto parágrafo numa história sem fim anunciado. Espero que nele consigam desvendar as minhas histórias, a minha evolução enquanto fotógrafo e porque fotografo aquilo que fotografo. Sejam bem-vindos a minha casa.

Amostra da secção "Covão d'Ametade"

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ficha técnica

TEXTO E FOTOGRAFIAS: Luís Afonso
PREFÁCIO: Isabel Díez
GRAFISMO: Frederico Fernandes
IMPRESSÃO: GUIDE – Artes Gráficas, Lda.
N. PÁGINAS: 160
N. FOTOGRAFIAS: 115 (inéditas)
PAPEL: Novatech Ultimatt 170g
FORMATO: 270x250mm
CAPA: Dura

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